Madre Gertrudes de São José

Conforme esta misteriosa voz, parece que Deus quer, aqui no interior do nosso Brasil, uma nova companhia de almas generosas, que desprezando a fadiga, as lutas, os sacrifícios entrem nestes sertões e se dediquem a instruir estes pobres ignorantes da sorte, coadjuvando os Revmos. Párocos, no ensino do Catecismo, prestando-se para tudo o que diz respeito a nossa Santa Religião.”

Carta 9

Província de Sôndrio - Itália

Na pequena cidade de Chiuro – Província de Sôndrio, Itália, mais exatamente na vila de Casacce, nº 52, filha de Giovani Baptista Toloni e Catarine Rodolfi, nasce Martina Toloni, no dia 7 de agosto de 1876. Registrada no dia seguinte pelo pai, no Cartório de Estado Civil do município de Chiuro. Dois dias depois, dia 9 de agosto, a pequena Martina é levada à pia batismal, no Santuário San Luigi - também Igreja Matriz da paróquia de Sazzo, à qual pertence a vila de Casacce. Recebe como madrinha Margarida Quagelli.  O casal já tinha duas filhas: Maddalena e Caterine Luigina. Deus quis que dessa família nascesse uma pessoa que iria sinalizar, através da sua consagração, uma faceta do projeto do Reino Deus.

Santuário San Luigi

      Contingências familiares levaram a pequena Martina a ser educada por diversas pessoas, às quais ela sempre foi muito grata, mas não deixará de se ressentir por jamais ter podido balbuciar o nome "mamãe".

      Madre Gertrudes inicia sua experiência no caminho do seguimento a Jesus, ainda criança, quando é evada para o Orfanato em Pianello, vive junto a um grupo misto de: “padres, irmãs, candidatas (à Vida Religiosa), velhinhos abandonados, cegos e surdos-mudos, jovens empregadas trabalhando em casa ou fora, estudantes pobres, meninos aprendizes e outras” (cf. Morte de Um Grão, pág 19). Uma obra fundada para acolher e cuidar dos mais pobres. Aqui, a pequena Martina Toloni (Madre Gertrudes de São José) tem como referência um figura muito importante, simples e forte de Dom Luigi Guanella, “um montanhês de fibra duríssima, dotado de uma clareza superior quanto aos objetivos apostólicos que pretende realizar. Arrojado nas obras assistenciais, é hábil no enfrentamento das inúmeras dificuldades. Intransigente na defesa do Papa e dos direitos da Igreja, é sempre perseguido pelos “liberais” que o querem fazer passar por louco, mas nada o detém na caminhada.

     Na convivência com Dom Guanella, Madre Gertrudes é inserida em dois pontos importantes no caminho do seguimento a Jesus: a inserção missionária no serviço aos pobres, marginalizados e junto à juventude; e na espiritualidade centrada na devoção à Eucaristia, onde aprende desde pequena uma recomendação de Dom Guanella que dizia: “Dai-lhes pão e Jesus”, que mais tarde dará a ela, a certeza de ser Irmãs de Jesus na Eucaristia, o Rei que se oculta no Mistério da Eucaristia. Uma espiritualidade sustentada em três pilares: devoção à Eucaristia, ao Sagrado Coração de Jesus e à Divina Providência.

     Na cidade de Como Martina vive sua adolescência e sua primeira juventude. Conclui seu curso primário e em seguida é transferida para Milão, vai morar na obra da "Divina Providência". É ai que ela senti o chamamento divino, o desejo de consagrar-se a Deus. 

Em 20 de outubro de 1900 a jovem Martina é admitida ao noviciado. Em 8 de dezembro de 1901 emite os primeiros votos e recebe o nome de Irmã Maria Geltrudes Toloni. Manterá esse nome até seu ingresso na Congregação das Irmãs de São José de Chambery. 

Por caminhos tortuosos e difíceis, Deus conduz a Irmã Geltrudes para a missão em terras brasileiras. Em 29 de março de 1904 ela embarca no navio para o Brasil, saindo do porto de GêneEssa convicção é tão forte que Madre Gertrudes faz uma peregrinação por Congregações tentando “calar” essa voz misteriosa, acalentando seu coração e buscando uma vida de entrega e doação.

     Com apenas 18 anos de idade, ela já possui uma clara intenção missionária, juntando-se ao novo grupo das “Apóstolas do Sagrado Coração, na Itália”. Mas Deus não a deixa se acomodar. Ela faz um caminho cheio de dor, de medo, de “desconforto” na convivência comunitária e na realização da missão. Em 1900, com 24 anos de idade, ela retoma sua experiência religiosa, e faz o ano de noviciado, em Piacenza – Itália, emitindo seus votos um ano depois. Esse foi um tempo propício, em que Madre Gertrude se prepara para sua grande peregrinação que iniciará em 1904, Brasil. Ela se apresenta entre o grupo que vem em missão, entre os pobres, filhos de imigrantes italianos, para o Brasil. Possuidora de um grande espírito de abnegação e sacrifício, sob o signo da vocação missionária entre os pobres, vocação esta que impulsiona sua saída de Como para Viareggio e, depois para o Brasil. Por caminhos tortuosos e difíceis, Deus conduziu essa jovem para a missão em terras brasileiras. Ao chegar vai logo para Urussanga (SC), onde assume o trabalho de educadora, recebendo assim os elogios do Vigário e do Governo Municipal. Mas, os desafios e a peregrinação só estão começando. Ela vive um longo calvário, até aos seus 31 anos de idade. Tempo de angústia, incertezas, incompreensões e de busca da vontade de Deus. 

     A partir de 1908 as dificuldades começam a avolumar. Irmã Geltrudes sente que é hora de procurar uma outra Congregação que possa oferecer mais segurança e um espaço missionário que venha de encontro com seus desejos e o que ela sente ser a vontade de Deus. Passa por algumas Congregações. Em 1911, ela ingressa na Congregação de São José de Chambery, onde recebe o nome de Irmã Gertrudes de São José.      Essa mulher guerreira, de alma pura e desejosa de viver intensamente a vontade de Deus em sua vida e realizar os desígnios dEle, de uma fé capaz de transpor as barreiras: incompreensão, calúnias, humilhações, aborrecimentos, fofocas e perseguições. Frente a todos esses acontecimentos e empecilhos, Irmã Gertrudes entrega sua causa ao Sagrado Coração de Jesus, reconhecendo que não vale a pena se defender, até porque ela não é nem será a única pessoa a passar por essas duras provações. “Deus as permite para o bem de nossa pobre alma. Ele é um bom Pai.” (cf. C 22) Ela mantém uma profunda confiança misericórdia e providência de Deus, que não a abandona. Mesmo sem entender o porquê desse caminho de dor e desalento, ela mantem-se firme na certeza de que  Deus quer algo a mais dela. Uma doação por inteiro. “Há mais ou menos 18 anos que luto com uma voz interna, misteriosa, mas clara que irresistivelmente me impele para o sacrifício, para a luta, para o trabalho (...) parece que Deus que aqui, no interior do nosso querido Brasil, uma nova companhia de almas generosas, que desprezando a fadiga, as lutas, os sacrifícios entrem nestes sertões e se dediquem a instruir estes pobres ignorantes da sorte, coadjuvando os Revmo. Párocos, no ensino do Catecismo, prestando-se para tudo o que diz respeito a nossa Santa Religião.” (cf. C 9)

A primeira inspiração de Madre Gertrudes foi a JUVENTUDE.

     Continuando sua peregrinação na busca clarear e assumir a vontade de Deus, ela entende que o bairro Ipiranguinha é o lugar que Deus prepara para sua expansão missionária; frente a essa realidade ela fortalece seu entusiasmo; ela percebe na vida simples a essência da entrega a Deus e aos irmãos. Ali, junto aquelas jovens, Madre Gertrudes percebe que para uma vida religiosa autentica, basta o “modesto e o estritamente necessário porque as obras maiores sempre nasceram do escondimento e do sacrifício, e somente desta forma realizam-se os mais altos ideais.” (cf. C 4). Essa realidade toca o coração de Madre Gertrudes. Faz arder e aquece seu entusiasmo pelo seguimento radical a Jesus. Ela tem convicção de que a essência da Vida Religiosa já está enraizada em suas entranhas e que nem as dispensa dos votos se fará necessário ao deixar a Congregação para se lançar nesse novo projeto de Deus, porque Ela espera ser fiel a Deus até a morte. (cf. C 9)

 

     Com certeza Madre Gertrudes, em seu peregrinar, lembra das palavras do Padre Lavignani: “Filha, estudei bem seu caso e acho que o Sagrado Coração de Jesus quer mesmo da senhora alguma coisa. Sim, minha filha, a senhora fundará uma Congregação a qual será do agrado de nosso Senhor, se espalhará em todo o Brasil e talvez pelo mundo todo. (… ) O lugar onde a senhora fará a sua fundação não será em São Paulo, mas num outro lugar bem mais longe. (…) Coragem! E sempre avante!”

SOBRE NÓS

Somos o Instituto Religioso das Irmãs de Jesus na Eucaristia, fundado em 10 de outubro de 1927, em Cachoeiro de Itapemirim/ES - Brasil, por Madre Gertrudes de São José

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