Fundadora
Gertrudes de São José – fundadora da Congregação das Irmãs de Jesus na Eucaristia
Na pequena cidade de Chiuro - Província de Sôndrio - Itália, filha de Giovanni Baptista Toloni e Caterina Rodolfi, nasceu Martina Toloni, no dia 7 de agosto de 1876. Perdeu a mãe muito cedo, aos 5 anos de idade. Teve uma infância repleta de sofrimento e tribulações, mas também de estímulos para a santidade.
Deus já havia preparado seu futuro. Assim como a mãe cuida de seu filho, Deus cuidava carinhosamente de sua preciosa Martina. Até os 4 anos foi criada por uma ama, Catharina. Sua família era pobre, não tinha como cuidar da pequena menina, por isso seu pai a levou para um orfanato, na cidade de Como, das Irmãs Guanelianas, levando somente suas roupas.
Foi neste lugar que ela iniciou seus estudos, aprendeu o catecismo, a História Sagrada e sobretudo, a amar a Nosso Senhor. Adquiriu a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a Eucaristia e a Divina Providência. Vai para Milão concluir seus estudos e ai sentiu o chamado divino, o desejo de consagrar-se a Deus, ingressando na Congregação das Apóstolas do Sagrado Coração e recebeu o nome de Irmã Gertrudes. Passou por vários momentos difíceis, mas sempre confiou em Deus. Por caminhos tortuosos e difíceis, Deus conduziu Irmã Gertrudes para a missão em terras brasileiras. Em 1904 chegou ao Brasil como missionária entre os pobres, filhos de imigrantes italianos. Sempre procurou responder a este chamado através da oração, da vivência com as Irmãs - vida comunitária e na doação de sua vida aos mais pobres. Não lhe faltaram dificuldades, sofrimentos e desafios a serem vencidos.
Irmã Gertrudes mulher de olhos sempre abertos à realidade, onde busca encontrar a presença de Deus. É alguém capaz de vislumbrar, à distância, a possibilidade de concretizar seus ideais, mesmo quando o mundo inteiro parece estar contra ela. São muitos os momentos de provação pelos quais passa até poder situar-se na vontade do Pai.
As suas experiências de vida religiosa nos diversos Institutos por onde passou, evidenciam o desassossego de uma alma que quer encontrar o melhor lugar para servir a Deus e aos pobres. Acalenta o sonho de criar algo novo, de fundar uma Congregação mais encarnada na realidade brasileira. Nunca perdeu a coragem e a confiança em Deus. Sua obra começa a surgir quando ela se encontra numa situação de abandono e desamparo.
No seu processo de constante discernimento, experimenta a voz inquieta de Deus para fundar, no interior do Brasil, uma Congregação aberta para acolher as jovens, sem distinção de classe social, de raça e instrução, e dedicada à evangelização, sobretudo, onde não houvesse sacerdote.
"Minha causa é a causa do pobre, do enfermo e da juventude deste querido Brasil que tanto amo"
Sua história assemelha-se ao grão de trigo que, caído na terra, precisa morrer para das frutos. Assim, aos 07 dias de agosto de 1962, em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, Madre Gertrudes nasce para a vida eterna, às 18h e 30min.
O desejo de Madre Gertrudes de ser sepultada na Casa-Mãe realiza-se em 12 de junho de 1969, quando seus restos mortais são trasladados numa pequena urna, do cemitério da Cidade para um monumento erguido em sua honra no pátio do Colégio Jesus Cristo Rei.
A causa de Madre Gertrudes passa a ser também a causa de tantas pessoas que buscam viver seu projeto de vida.
Irmã Josefina do Sagrado Coração – Co-fundadora da Congregação
Companheira de Madre Gertrudes desde o início da Congregação em 1927, na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, foi quem primeiro captou o espírito e os ideais de é que animavam a Fundadora. Em seu diário pessoal, encontramos expressões de profunda intimidade com Deus; fala de seus sofrimentos assumidos numa linha de redenção, como vontade de Deus; humildade e confiança na Providência e na misericórdia divina; considera a enfermidade que a prende no leito como tábua de salvação, caminho para o céu e ponto de santidade, fazendo de sua enfermidade a síntese da ida sofrida e angustiada, mas tranqüila e alegre. Palavras textuais: “Creio piamente que Deus, querendo me reservar coisa melhor, me reduziu a zero. Dou graças a Deus”. “O sofrimento nos desafeiçoa das coisas da terra e nos eleva o coração e a mente ao céu”. Pede frequentemente a Jesus que a aceite como vítima a ser sacrificada como Hóstia em holocausto pela santificação dos sacerdotes, conversão dos pecadores e triunfo dos mártires pela fé.
Nasceu na Serra-ES, em 22 de janeiro de 1888. Filha de Alexandre R.P. Cardoso e Maria R. Cardoso. Seus avós maternos: André Coutinho e Isabel Coutinho. Ela própria foi a declarante de seus dados e serviram de testemunho: Zilma Campos e Camilo Brandão da Silva e na observação: Registro feito pelo decreto – lei 765 de 14/07/1949 em Olinda, distrito do Município de Nilópolis-RJ a 23/01/1973.
Outro documento existente é a certidão de óbito: faleceu a 08/12/1973 de Pielonefrite – insuficiência cardíaca, segundo a Irmã Glória Maria (Victória Caliman) acordou dizendo ter dormido bem e às 9 horas já partira em nossa residência, ligada ao Hospital Espanhol.
O médico que atesta: Dr. Alvino Carneiro Lima. Foi sepultada no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Integrou as comunidades da Casa Mãe de Cachoeiro de Itapemrim de 28/01/1927 a 1935 e de 1952 a 1953; Orfanato Cristo Rei – Vitória – 1935 a 1937 e 1954 a 1955; Miracema–RJ – 1937 a 1938; Bom Jesus de Itabapoana-ES – de 1938 a 1946; São José de Bicas-MG (alguns meses); Campos por 1 ano; Marilândia-ES – por mais um ano; Hospital Central dos Acidentados – RJ – 2 anos e Hospital Espanhol por mais 1 ano.
De 1946 a 1952 ficou em Belo Horizonte em tratamento de saúde. De sua ficha congregacional pudemos extrair além das transferências, os seguintes dados: tem o curso primário até a 4ª série(hoje Fundamental); seu padrinho de batismo, acontecido na Serra é Dr. Afonso Cláudio de Freitas Rosa e a madrinha Carolina do Sacramento.
Seu ingresso 10/10/1927 com a oficialização da fundação. Inicia o noviciado a 20/11/1928 (Serva de Maria do Brasil em janeiro de 1925), 1ª Profissão 01/01/1930; Profissão Perpétua 24/06/1934 e a renovação com a “Sanatio” em 24/07/1949.
Nos Dados Biográficos (DB) página 37, os votos perpétuos aconteceram em 26 mas não a menciona na tomada de hábito. Aqui possivelmente, com a fundadora iam definindo modelos e o fizeram sem ritual algum. E o noviciado? Ela apenas acabava de receber o hábito, nas Servas, logo, não a formação.
Todas as descrições dos fatos no relato da Autobiografia, consta na 2ª pessoa do plural, dando a entender que eram as duas que estavam sempre juntas.
Ela então, fez suas etapas de formação nesta Congregação, na luta e na convivência com o imprevisto, o improviso, o “corre-corre” e chega assim aos votos. As duas Congregações nascentes. Procede então o depoimento do ciúme de ver Irmã Elizabeth da Santíssima Trindade (Emília Fontes), Irmã Adelaide de São Norberto (Maria Rabelo Guimarães) irem tomando seu lugar junto à Fundadora. Pois a sustentação da Vida Religiosa, ficou sem as bases, até para ajudar.
Como deve ter sofrido nossa Josefina! Mas a Providência fez dela um norte para acontecer a profecia de Lavignani descrita nas páginas 18 e 19 dos Dados Biográficos como relemos nas páginas 51 e 52 no livro Morte de Um Grão Certeza de Vida. A Congregação sem nome que começa no Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Cristo Rei e de Jesus na Eucaristia, venera-a por ser guia até à nossa Terra Prometida – Cachoeiro de Itapemirim-ES. Cf. Morte de Um Grão página 49 e D.B. página 23.
- Crônica da Irmã Josefina: A semente – “A Congregação”
- Gertrudes e Josefina
- Juntas plantaram a semente
- A semente brotada
- A Josefina afastada.
- A árvore foi crescendo
- Crescendo foi o desprezo
- A Josefina coitada
- De sua empresa afastada
- Da sombra as duas podiam
- Gozar suas virtudes
- A capacidade induzia
- De preferência a Gertrudes
- Da sombra goza Gertrudes
- Da árvore querida plantada
- A Josefina desprezada,
- E de longe a contemplar
- Josefina assim há de ficar
- Jesus assim a fez
- De tudo afastar,
- E por Ele sofrer
- As preces de Josefina
- Ao céu procura chegar
- Pedindo a Deus seu fim
- Do grande e triste penar
- Senhor, a Josefina daí força
- A sua cruz carregar,
- Que ela, não a destroce
- O que Vós quisestes traçar
- Josefina ouve em sua alma
- De Deus sua voz
- Assim quero as almas
- A mim predestinadas
- Josefina contente
- Se desfaz em cantar
- Os louvores ao Onipotente
- Que a sua alma faz gozar.
- - Madre Josefina –


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